quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Guarulhos esta se lixando para o lixo que produz



Na região metropolitana, a cidade de Guarulhos, a segunda maior do estado, era a grande vilã e despejava toda a sujeira nos rios. Agora começou a construir a rede coletora. São quase 300 quilômetros de canos, para desviar o esgoto e mandar para as novas estações de tratamento, que vão ser construídas nos próximos oito anos.

As cidades crescem, mas as redes de coleta não acompanham tanto desenvolvimento. O resultado dessa equação aparece nos rios e é visível o sofrimento do Tietê.

Quilômetros depois da nascente, o rio Tietê mergulha na região mais populosa e industrializada do país. Essas águas chegam a receber por dia 1 bilhão e 600 milhões de litros de esgoto. Por causa disso na capital o rio tem classe quatro. O nível mais poluído que existe.





A forma mais eficaz para despoluir o rio é fazer com que todo esse esgoto não chegue até o leito. A dificuldade é o custo. O gasto para coletar e tratar o esgoto é seis vezes maior do que para tratar e distribuir água potável.

“Porque as redes de esgoto além de ter um diâmetro, um tamanho maior do que a rede de água possui nos seus traçados mais interferências, por exemplo, a água vai por pressão sendo distribuída, então a água pode subir, descer, fazer curvas, o esgoto não, a cada desvio da rede nós temos que colocar um posto de inspeção, um posto de visita”, conta João Roberto Rocha Moraes, superintendente do SAEE, Guarulhos.

A tarefa do consumidor é fazer a ligação à rede, o que dobra a conta de água. Seu josé Gregório já fez as contas e não se incomoda em pagar mais. O comerciante mora na periferia de Guarulhos, onde a rede de esgoto acabou de chegar. Para ele, o custo é pequeno se comparado ao benefício de ter de volta o Rio Cabuçu limpinho.





“Tem que pagar, mas é importante e vai ter o tratamento do esgoto aqui no bairro, é importante, todo mundo tem que se ligar na rede, eu não vou perder tempo”, fala José Gregório Gouveia Freitas, comerciante.

Todo o esgoto doméstico do município é despejado nos rios e córregos que desaguam no Tietê, sem tratamento algum. Mas a segunda maior economia do estado trabalha para perder a fama de poluidora. As obras de saneamento já aparecem pela cidade.

Serão 288 quilômetros de redes, além de cinco estações de tratamento nos próximos oito anos.
O custo é de R$600 milhões. A maior parte do dinheiro vem do Governo Federal e uma parcela do próprio município. Até junho do ano que vem Guarulhos já terá 40% do esgoto tratado.







Olhando para o Tietê que corta São Paulo, é difícil acreditar que a qualidade da água tenha melhorado. De fato, na capital não há muita diferença. Mas a mancha negra no leito do rio encolheu 120 km nos últimos 16 anos.

Seu Luis, Henrique e Carlos são prova de que depois que o esgoto é retirado do córrego, a natureza se encarrega do resto. Há cinco anos, o esgoto no bairro onde eles moram, na zona leste da capital, foi canalizado. Hoje, o riacho é o maior bem desses três amigos.

“Todo mundo que vem de outros lugares pra cá, acha bonito está dentro da cidade e assim um verde que a gente raramente vê por aí parece que está no interior”, diz Carlos de Souza, cabeleireiro.




O trabalho de Vinícius é levar essa e outras lições de preservação do meio ambiente ao maior número de pessoas. Educador ambiental, ele acompanha as condições do Tietê há dez anos e não tem dúvida. O esforço pra melhorar a qualidade da água do rio precisa ser contínuo.

“A natureza se regenera, a gente precisa fazer uma força pra ajudá-la. Os governantes precisam ter clareza de que não dá para parar de investir em saneamento básico, precisa ter uma continuidade nesse investimento, e que as pessoas precisam se conectar à rede, precisamos parar de jogar lixo nas ruas, o que a gente vê aqui na beira do rio é que ainda tem muito lixo e esse lixo não é da prefeitura, não é do governo, é nosso e fazer nossa parte dessa forma”, fala Vinícius Madazio, educador da Rede das Águas - SOS Mata Atlântica


Expectativas de tratamento